Todo ano, no mês de março, é realizada a campanha do Dia Mundial do Rim que tem como objetivo organizar ações no mundo inteiro para divulgar informações relacionadas à prevenção para todos os tipos de doença renal.

O tema da campanha de 2017 é “Doença Renal e Obesidade” cujo foco é alertar a população sobre os perigos da obesidade que está associada a vários problemas de saúde, inclusive com os renais.

De acordo com a Dra. Leda Lotaif, nefrologista diretora da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e gestora da nefrologia e diálise do HCor, cerca de 20% das pessoas no mundo são obesas. A médica explica que a obesidade, assim como o diabetes e a hipertensão, são as principais causas para a doença renal crônica considerada hoje como epidêmica. Segundo a nefrologista, esse tipo de doença renal afeta 10% da população mundial, ou seja, um em cada 10 adultos possui a patologia. “É fundamental alertarmos o público sobre a doença renal crônica, pois ela afeta muito a qualidade de vida dos pacientes. Vale ressaltar que a maioria dos indivíduos que tem o problema desconhecem, por ser assintomático, descobrindo-o, às vezes, em estágio avançado no qual não há mais reversão, e tendo somente a diálise ou o transplante do rim como alternativas”.

Dra. Leda salienta que pelo fato da doença renal crônica ser silenciosa, não apresentando sintomas, é necessário que as pessoas frequentem seus médicos com regularidade, principalmente aquelas que responderem sim a uma das questões abaixo:

- Tem pressão alta?

- Tem diabetes?

- Está acima do peso?

- Tem mais do que 50 anos?

- Tem doenças dos rins na família?

- É fumante?

- Costuma tomar remédios sem orientação médica?

Além disso, a nefrologista também informa que histórico familiar de hipertensão e diabetes, mesmo que o paciente não tenha esses problemas, contam para um acompanhamento preventivo. “O nosso objetivo é a prevenção. É tentar detectar a doença renal crônica precocemente para que se consiga retardar sua evolução ou até mesmo impedi-la”.

Outros fatores de risco para a doença renal crônica mencionados pela médica, além da obesidade, diabetes e hipertensão, estão a doença cardiovascular e a calculose renal (pedra nos rins). Dra. Leda ainda ressalta que a diálise e o transplante de rim, quando necessários, são excelentes opções de tratamento e que é preciso mudar a visão negativa sobre ambos. “A diálise, por exemplo, é uma terapia tranquila e segura, as máquinas são verdadeiros computadores e ela pode ser feita, inclusive, em casa. E no Brasil, a qualidade da diálise é muito boa, podendo ser feita com muita segurança e oferecendo mais qualidade de vida aos pacientes”.

Com relação a prevenção, segundo Dra. Leda, é necessário manter hábitos saudáveis como praticar exercícios físicos, beber bastante líquido, ter uma boa alimentação, evitar o fumo e a ingestão de bebidas alcoólicas, e não tomar medicações sem orientação médica, principalmente porque o uso crônico de anti-inflamatórios não-hormonais podem levar a esse tipo de doença renal.

Outros tipos de doença renal

Infecção urinária

A nefrologista da SBN explica que a infecção urinária ou infecção do trato urinário (ITU) pode ser dividida em duas classificações: baixa ou alta.

A ITU é um quadro infeccioso que pode ocorrer em qualquer parte do trato urinário (uretra, bexiga, rins e ureteres), mas é mais comum no trato inferior - bexiga (cistite) ou uretra (uretrite). Já a infecção urinária alta é chamada de pielonefrite e denota infecção nos rins.

Dra. Leda explica que a infecção urinária em alguns casos pode ser assintomática, mas também pode apresentar sintomas como sangramento na urina, urgência e aumento da frequência miccional, ardor no canal da urina, e, em alguns casos, mau cheiro. Segundo a médica, a ITU é mais comum nas mulheres por conta da uretra que é mais curta facilitando a chegada da bactéria na bexiga. A patologia ainda aparece com mais frequência em mulheres que têm histórico na família. Outros fatores de risco que predispõem a infecção urinária baixa é o uso de cremes vaginais, espermecidas, vida sexualmente ativa, menopausa, calculose renal e hipertrofia da próstata. “É importante frisar que o surgimento da cistite não tem nada a ver com a falta de higiene que é algo que as mulheres questionam bastante. Claro que manter os hábitos de limpeza é fundamental, mas não tem relação com o problema”.

Pedras nos rins

De acordo com Dra. Leda, as pedras nos rins aparecem por causa de um erro no metabolismo do paciente. Quando esse tipo de doença renal acontece somente uma vez não há preocupações, porém quando a pessoa apresenta cálculos renais de repetição, é necessário a realização de um estudo para verificar qual o erro do metabolismo para a indicação do tratamento mais adequado e evitar a produção de mais pedras ou até mesmo impedir o crescimento daquelas que já estão instaladas no órgão.

A dor de cólica renal, tão conhecida entre a população, se dá porque o ureter, canal que liga o rim a bexiga, se contrai para expulsar a pedra que vai descendo e ferindo-o. Segundo a nefrologista, em alguns casos, esse processo pode entupir o ureter, obstruindo a passagem da urina, nem sempre pelo tamanho do cálculo, mas pela inflamação causada. “Esses quadros merecem atenção, pois quando há essa obstrução no ureter, a urina não para de ser produzida e se acumula nos rins o que pode levar a uma grave nefrite ou até mesmo a uma infecção generalizada. Indivíduos que possuem pedras no órgão com frequência devem procurar por um urologista ou nefrologista para sempre fazer acompanhamento”.

Como prevenção, a nefrologista indica tomar dois litros de água por dia, além de evitar o consumo excessivo de sal, alimentos industrializados e refrigerantes que também são ricos em sódio. “As pessoas que possuem erro no metabolismo e que são formadoras de cálculos renais precisam, obrigatoriamente, urinar dois litros por dia e, para isso, em dias de muito calor, devem tomar mais que dois litros de água diariamente”, finaliza.

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